México: ruínas ancestrais, águas azuis e cidades coloniais… por onde começar? 🛩 🇲🇽

A caixa multibanco cospe o dinheiro e eu arrumo as libras apressadamente na carteira sem tempo para as contar quando sou, abruptamente, interpelado por uma senhora que diz: – “esse dinheiro é meu. Efetuei um levantamento antes de ti e as notas não saíram.”  Confuso, saquei o talão com os meus últimos movimentos e, depois de desfeitas as infundadas suspeitas, fui-me embora sem esperar pelo merecido pedido de desculpas. Estávamos com pressa, corremos para a estação de comboios “Cambridge North”, sacamos 2 bilhetes na máquina de venda automática para evitar as filas e saltamos da plataforma 1 para dentro do comboio com destino  ao aeroporto de Stansted. No balcão do registo-de-entrada uma das malas levanta suspeitas por só conter líquidos. Somos, então, encaminhados para uma tramitação mais complexa onde o segurança depois de fazer vários testes aos produtos franziu o sobreolho e, em parte explicitamente e em parte implicitamente, insinuou que havia alguma coisa errada! O que me levou a pensar: – de manhã passei por ladrão, agora por terrorista com cosméticos explosivos, pelo andar da carruagem quando chegar ao México sou promovido a traficante! E claro, como não há 2 sem 3, quando aterramos no aeroporto de Cancún e, enquanto esperava pelas malas, fui topado por um cão polícia que se atira à minha mochila de focinho!🐕 Será que já me puseram droga na mochila? Pensei eu e pensaram todas as pessoas à minha volta também contaminadas pelos mesmo cliché. O Sr. agente mandou sentar o pastor alemão e pede-me educadamente para abrir a mochila. Fico apreendido e os dedos escorregam-me no zíper… as pessoas em suspense giram o olhar julgador na minha direção como girações a seguir o sol e imóveis aguardam expectantes pelo pior cenário… os meus dedos trémulos e hesitantes encravam o fecho! Chegamos, então ao esperado clímax debaixo de um intenso e perturbador silêncio: o cursor começa finalmente a desengrenar lentamente os dentes metálicos do fecho-ecler, a mochila abre e os meus haveres são expostos em praça pública… O agente confisca-me a fruta toda e diz-me que é uma medida para prevenir contaminações! Eu respiro de alívio e a minha plateia vira costas como se tivesse sido enganada por um artista de rua barato! Afago o pelo ao agente patudo e congratulo-o por ter desmascarado mais um traficante de tangerinas🍊. A Ana, entretanto chega da casa de banho, vê o aparato e encolhe os ombros como quem diz: isto promete!

Sentamos os nossos rabos, quadrados pelo voo de 12 horas, nos bancos de um autocarro e, sob o efeito da descompensação horária, dormitamos até Mérida, a capital cultural da península de Yucatán.

No dia seguinte, despertamos com o alarme e depois de muitos snoozes elevamo-nos como dois cadáveres regressados à vida por meios tecnológicos. Embuchamos 2 chávenas de café e com o guia da Lonely Planet na mão fomos visitar a cidade: as ruas são estreitas com paredes que contam a história colonial,  os museus são viagens à misteriosa civilização Maia e os mercados são uma deliciosa amostra dos infinitos sabores da cozinha tradicional mexicana. A cidade está longe de ser uma desconhecida pedra preciosa, contudo, também não é demasiado cosmopolita, dependendo da hora e da rua, às vezes não vimos turistas e outras vezes não vimos nós outra coisa! Com frequência, principalmente no centro, tropeçamos em animados festivais de dança e musica tradicional de Yucatán.

Mérida, além de ser intrinsecamente interessante é também um ponto de partida para outras aventuras não muito distantes. Da organizada e tranquila estação de autocarros até  Uxmal, um dos mais conhecidos sítios arqueológicos Maias, são 70 Km de asfalto e mato. Descemos do autocarro juntamente com um punhado de turistas no meio do nada e, a pé, entramos numa majestosa área selvática de pirâmides e templos de pedra caliça rosada! Não tardou, com tanto deslumbramento fui mordido ou picado na perna por um “vampiro” não identificado! A Ana, que não conseguia dar 2 passos sem tirar meia dúzia de fotografias,  acidentalmente, descobriu dois furos e um rasto de sangue na minha perna! Regressamos a Mérida e ao anoitecer fomos ao hospital com uma perna feia (como habitual) e outra com mau aspecto! Apesar do caos e das instalações modestas fui atendido com grande sentido de urgência porque no México habitam alguns bichinhos mortais 🕷!

Pernoitamos no hostel Spaninglish e com os primeiros raios de sol 🌄 apanhamos uma carcaça com rodas para Cuzamá, um complexo de 3 cavidades subterrâneas onde se formaram lagoas semicirculares de água doce, os chamados cenotes. Infelizmente, não conseguimos chegar a estas grutas escondidas no sub-solo sem alugar uma carroça puxada por um cavalo! Qual dos 3 cenotes o melhor? Talvez o 2º porque quando la chegamos a lagoa escondida com água cristalina de tom azulado  ainda estava deserta! O 3º também nos roubou um “Uau” e o fôlego mas estava apinhado de aventureiros corajosos que se lançavam das margens e assustavam os banhistas. Exaustos e extasiados apanhamos novamente o nosso paciente cavalito. No regresso fomos perseguidos e picados por enormes tabanos e, de quando em quando, à nossa passagem milhares de borboletas esvoaçavam as assas de todas as cores formando uma espécie de túnel para nós passarmos! Magico.

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No dia seguinte, deixamos para trás Mérida e partimos para Izamal. Uma cidade provinciana tranquila com a alcunha de “cidade amarela” pelos seus edifícios pintados de amarelo dourado que se estendem a partir do centro como uma ceara de malmequeres 🌻. Nas ruas pitorescas, os locais, com traços identitários (geralmente baixos e bronzeados), cumprimentam-nos com um sorriso! Quando olho para eles impressiona-me o facto de sermos nós os únicos a pingar suor! Debaixo de um solarengo tecto azul, subimos até à pirâmide Maia devota ao Deus do sol Kinich-Kakmó. A estrutura está em ruínas mas presenteia os visitantes com uma vista privilegiada sobre a cidade. Depois, já no coração da cidade, visitamos o impressionante Mosteiro Franciscano construído pelos colonizadores espanhóis e fizemos o rali das oficinas de arte.

Seguimos viagem para Valladolid, uma cidade conhecida pelas ruas calmas e paredes com tons pastel fustigadas pelos raios solares. Paramos aqui, não só porque a cidade é interessante, mas também porque fica localizada naquele ponto mágico que nos permite visitar muitos outros locais como Chichén Itzá, Ek’ Balam e um bom número de cenotes nas proximidades.

Ao amanhecer, antes das multidões acordarem, agarramos o primeiro autocarro para a cidade antropológica Maia, Chichén Itzá. O dia nasceu quente e as nuvens  não chegavam para acalmar a fúria do sol tórrido. Felizmente, chegamos antes das excursões e evitamos filas e horas de espera… Não nos levou muito tempo para perceber o porque desta cidade Maia ser uma das mais populares atracções turísticas do México e uma das 7 maravilhas do mundo! Muitos dos mistérios do calendário astronómico Maia podem ser percebidos aqui uma vez compreendido o desenho dos templos, a sua orientação e arquitectura! Hipnotizados, percorremos cada uma das  das enormes estruturas empedradas. Pela história, cultura ou pela dimensão este lugar exerce um magnetismo e um fascínio difícil de explicar… À tarde, fugimos das multidões. Regressamos a Valladolid e ao entardecer entramos no restaurante vegetariano “Yerba buena del Sisal”. Nisto, lá fora, uma forte tempestade tropical de chuva, vento e trovões; toma conta das ruas e ao som da natureza servem-nos a melhor refeição mexicana até então 🍲!

Na viagem para Tulum, uma jovial senhora mexicana ensina-nos umas palavritas na língua Maia, sem sucesso, e paralelamente  as suas 4 filhas  falam connosco como se fossemos todos nativos em Espanhol! Foi uma viagem prazerosa apesar de nos termos envergonhado em 2 línguas 😜! O tempo voou e nós descemos em Tulum debaixo de algumas nuvens altas que a rebolar cruzavam o céu azul como se nos tivessem a perseguir… Depois de percorrermos a avenida principal ponta-a-ponta para procurar a casa que reservamos no Airbnb além das nuvens sobre nós pairava também uma dúvida: – será que a casa existe mesmo? Mas, depois de muitas perguntas e com a colaboração de muitos voluntários que se foram, entretanto, juntando  a esta “caça ao tesouro” acabamos mesmo por encontrar a dita habitação.

Continua 🏖 …

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Daniel, julho de 2017

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