Indonésia: um país, vários destinos 🇮🇩

Primeira parte…

No trânsito de Ubud, para escaparmos ao engarrafamento, contornarmos carros, autocarros, peões, táxis e muitas outras motas numa espécie de bailado sincronizado! Esta agilidade e mobilidade levou-nos a todos os cantos de Bali. Todos os dias, e foram 7, à nossa frente, no centro de Ubud, corria um rio de trânsito. Estávamos dentro de um enxame e, quando esse fluxo se extinguia abruptamente, já longe das artérias principais, acelerávamos paraíso a-dentro para mais uma excursão a dois 👫 🏍. Eu na qualidade de passageiro e motorista, a Ana, passageira, fotografa e navegadora. Disparados estrada fora, unidos nesse instante, partilhamos direção e caminho. Cruzamos amplos campos de arroz, plantas selvagens, flores exóticas, casas confusas, templos hindus, florestas luxuriosas, plantações de café e até vulcões 🌋. Todos os dias quando regressávamos a Ubud, triunfantes e cheios de boas memórias, sob um prato de comida quente balinesa 🍲, pensávamos – amanhã voltaremos a perder-nos para sempre. A beleza de Bali é infinita. A pé, percorremos algumas das mais populares trilhas pedestres de Ubud. Caminhamos por entre socalcos, aldeias bucólicas e rios com anfiteatros de floresta tropical profunda. No entanto, não raras vezes, tivemos de fazer  inversão de marcha porque, infelizmente, existem algumas ratoeiras para turistas!

Até que numa noite serena, poucas horas antes do sol-nascer, despertamos sacudidos por fortes abalos. A terra estava a ter um ataque cardíaco, a pulsação disparou e os impulsos cada vez mais fortes embalavam a nossa cama como se esta fosse um baloiço! Segundos que pareceram uma eternidade e que foram acompanhados por estrondos subterrâneos, como trovões quando soam ao longe!  Na manhã seguinte, a energia elétrica regressou e, pela ‘internet’, soubemos que na ilha vizinha, Lombok, o terramoto tinha destruído 50% das casas a norte e feito mais de 400 vitimas, entre as quais 10 turistas. O nosso sólido plano para visitar a Indonésia tinha bons alicerces, mas ficou completamente destroçado com a natureza deste dramático evento. A partir daqui, ficamos à deriva, sem rumo certo e a nuvem negra dos desastres naturais pairava sobre as nossas cabeças. Quando as centenas de réplicas que se seguiram começaram a rarear viajamos para Padangbai, uma pequena vila portuária e consequentemente um ponto de partida e chegada para aqueles que visitam Lombok e as ilhas Gili Gili 🏝. Chegamos no meio de um dilúvio! Procuramos refugio num café de pescadores onde encontramos um viajante sueco desesperado. Tinha perdido a carteira com o dinheiro todo e, pior, os documentos! Pagamos o café e tivemos à conversa. Umas horas depois, a carteira aparece pela mão de 4 locais. Estes pedem uma recompensa de 700.000 rupias e uma rodada de cerveja para todos. Uma inesperada reviravolta na sorte e no tempo porque, entretanto, parou de chover ☀️. Para além de uma cerimónia de cremação hindu não encontramos muitas razões para pernoitar aqui, mas acabamos por ficar 2 noites. O tempo estava instável, as previsões não eram animadoras e o mar estava demasiado bravo para as lanchas rápidas, portanto, a nossa única opção era embarcar num cacilheiro. De madrugada, abrimos duas aplicações no telemóvel (Windi & Earthquake) e verificamos que não existiam alertas de tsunami, o vento estava mais fraco e consequentemente, nas próximas horas o mar, teoricamente, estaria mais calmo. Agarramos nas malas e apanhamos o barco com destino ao sul de Lombok. Estes cacilheiros têm péssima reputação e nós embarcamos muito apreensivos! O estreito de Lombok não é muito largo mas é um dos mais fundos do mundo. Há relatos verdadeiramente assustadores… incêndios abordo em pleno mar alto, atrasos de várias horas, avarias frequentes, ondas tão grandes que entram dentro do barco e até naufrágios ⛴…  Mas, inesperadamente, a viagem foi tranquila. Quando chegamos ao hotel, atiramos as malas para dentro do quarto que alugamos na internet e fomos espreitar o mar. Fitamos os olhos no horizonte e pensamos – como é que Lombok pode ser o paraíso para os surfistas? Não há ondulação absolutamente nenhuma! Parecia que a terra tinha libertado o ‘stress’ todo e agora estava a dormir pacificamente. O dia, para nós, já ia longo, por isso, também estávamos a precisar descansar. Ainda não dormíamos quando fomos, literalmente sacudidos da cama. Um sismo de magnitude 7 com o epicentro a norte da ilha brota violentamente debaixo dos nossos pés e enquanto o mundo desaba à nossa volta – corremos pela nossa vida… as paredes estremecem, o chão ruge e uma explosão na eletricidade deixa-nos a correr completamente às cegas! Só paramos no meio da estrada, em trajes menores e rodeados por dezenas de muçulmanos que corriam desorientados para trás e para a frente aos gritos! No meio do caos, um local aparece com uma galinha preta nas mãos e consuma um sacrifício animal. As pessoas montam tendas na rua e dizem-nos: — “agora podem dormir descansados, já passou”.  Estávamos por nossa conta e risco! De maneiras que passamos a noite a planear o plano de fuga dali para fora. Os voos estavam esgotados, aparentemente, estávamos todos a pensar no mesmo! Contra todas as expectativas, encontramos dois bilhetes e, dois dias depois, estávamos no aeroporto de Lombok com destino a Java 🛩. O aeroporto sofreu alguns danos mas estava em funcionamento. Encontramos pessoas desesperadas sem bilhete, pessoas a dormir no chão, pessoas a chorar, filas intermináveis mas, mais uma vez, por sorte, surpreendentemente o nosso voo correu bem. Aterramos em Yogyakarta há hora prevista e, mais importante, vivos!

Continua…

Daniel, agosto de 2018

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