Indonésia: um país, vários destinos 🇮🇩

Última parte…

Na pacata cidade de Bondowoso, desceram do autocarro apenas dois turistas, nós. A nossa visita tinha dois motivos: alugar uma mota e descansar. Queríamos acelerar sozinhos montanha a cima até ao dramático vulcão Ijen. Traziamos os dois demasiado otimismo. Percorremos a cidade, do amanhecer ao anoitecer, sem sucesso. À noite, estávamos extenuados e sem mota 🏍! Depois do jantar, saí à rua para “gastar os últimos cartuxos” e encontro um motociclista que me diz: – “sobe, conheço uma pessoa que talvez te possa ajudar”. Começo a duvidar da minha sensatez assim que arrancamos! A condução dele é medonha, passa o tempo a buzinar e a discutir com outros condutores! A certo ponto, num gueto escuro, indivíduos saídos do nada, acercam-se da mota. Dão inicio às negociações. A mim, parece uma emboscada! Conversam em Javanês e num tom agressivo! Vêm-me à memória cenas de alguns filmes do Van Damme gravados na Ásia! Subitamente, no meio do motim, um deles diz em inglês: – 500.000 rupias e o teu passaporte. Bati em retirada… fui-me embora sem negociar. Talvez tenha visto demasiados episódios da serie “Locked up Abroad” mas conduzir sem documentos no estrangeiro é um NÃO com letras capitais.

Atiramos a toalha ao chão e partimos à 1 da manhã com um motorista privado e um turista espanhol. Descemos no sopé do vulcão IJen, ligamos as lanternas e seguimos uma trilha até ao topo. Curiosamente, a parte penosa foi descer o interior da cratera, portanto, a descer nem sempre os santos ajudam! Mesmo com a mascara anti-gases o ar era irrespirável e manter os olhos abertos foi um suplício. Lá em baixo, as populares luzes azuis cintilam como holofotes revelando o ambiente inóspito onde, ainda hoje, trabalham alguns mineiros! Regressamos ao topo da cratera com o nascer-do-sol e, pela primeira vez, conseguimos ver onde tínhamos estado. A paisagem é doutro mundo, um lugar remoto e alienígena! Fumarólas libertam vapores de enxofre que pintam as pedras de amarelo venenoso e há no centro um enorme lago azul metalizado tão ácido que é capaz de derreter metais! Depois, num ápice, as nuvens descem e escondem esta paisagem esdrúxula e repulsiva a qualquer forma de vida animal ou vegetal.

No dia seguinte, acordei doente mas, ainda assim, voamos para Sumbawa. Uma ilha isolada, agreste e escassamente visitada, fica a milhas do turismo de massas. Na primeira noite a febre subiu acima dos 40 °C. A Ana mandou parar dois motociclistas no meio de nenhures e das trevas. Levaram-nos ao hospital local. O diagnóstico apontou para dengue ou intoxicação alimentar como causas prováveis! Foi inconclusivo! Apanhamos um miniautocarro para Maluk, uma vila costeira onde os surfistas gostam de molhar a prancha. Antes da noite cair, alugamos uma mota e um quarto na frente-mar. Ligamos o ar condicionado, depositamos os nossos corpos fatigados e combalidos na cama. Ainda não dormíamos, o azan das mesquitas nunca nos permitiu usufruir verdadeiramente desse luxo, quando as paredes principiam um bailado como se fossem um castelo de cartas prestes a ruir! Mais um sismo de magnitude 7, o 3º no espaço de poucas semanas. Ninguém esperou pelo alerta de ‘tsunami’ 🌊 … estávamos ao nível do mar. As pessoas entraram em pânico e num cenário apocalítico agarramos nas motas e aceleramos pela rota de evacuação acima. Parecia uma prova amadora de motociclismo. No topo de uma encosta, juntámo-nos a um grupo de locais à volta de uma fogueira. Nesta noite, a grande maioria dormiu debaixo das estrelas. Um casal local, percebeu que eu estava doente, e deixou-nos dormir no carro até às 3 da manhã. Assim, que o sol espreitou, mudamos para um hotel no topo de uma colina. Depois, fomos ao hospital fazer mais alguns exames. Desta feita, fui diagnosticado com febre tifoide. Prescreveram-me alguns medicamentos mas, curiosamente, nenhum antibiótico especifico para a tifoide! Os próximos dias foram passados no terraço do hotel, a fazer compras no mercado local e na cozinha a preparar deliciosas refeições. Fui melhorando com tempo e repouso mas, a pedido da minha seguradora e por precaução, fui repetir os exames. Contra todas as expectativas – negativo para todas as maleitas!

No último dia de férias, partimos de madrugada para o aeroporto. Pelo caminho atravessamos um verdadeiro cenário de guerra! Acampamentos para refugiados, casas destruídas, hospitais improvisados, feridos e crianças de olhar perdido. Um ponto final num mês de emoções e sensações fortes!

Maluk, Sumbawa
Itinerário: Indonésia, agosto de 2018

Indonésia 1ª parte

Indonésia 2ª parte

Daniel, agosto de 2018

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